31 Julho 2003

Segredos Escondidos 

Adivinhem lá de quem é que o Pacheco Pereira está a falar neste blog que, muito modestamente, aqui reproduzo:

UMA QUESTÃO TABU DO JORNALISMO E DA POLÍTICA
Um jornalista que tem fontes altamente colocadas na vida política, que lhe fornecem informações confidenciais que implicam quebra de segredo ou lealdade ou com o governo ou com o partido de que fazem parte, acaba por ter um ascendente sobre essas fontes. Por muito que exista uma troca de favores entre o político que assim fornece informações com intencionalidade (contra os seu adversários políticos, contra quem lhe faz sombra na carreira) e o jornalista que vê o seu jornal aumentar as tiragens pelos “escândalos” que publica e a própria carreira de jornalista subir de cotação , a verdade é que dada a natureza das suas funções e a distinção entre a penalização social dos dois comportamentos, é o jornalista que “manda”.

O que é que acontece quando o jornalista inicia uma carreira política e vai ter que partilhar o mesmo mundo com os políticos que o informavam? Como é que ele pode iludir que sabe, no mesmo gabinete, no mesmo partido, quem informa os jornais? Como é que as “fontes”, que sabem que ele sabe que foram eles que denunciaram X, ou forneceram o documento que incriminou Y, o tratam? Podem ter liberdade para criticar o homem a quem passavam informações? Podem deixar de sentir uma potencial chantagem sobre eles? Mesmo na melhor das hipóteses é uma relação particularmente doentia e ambígua.


Caso não tenham adivinhado, recomendo que vão até ao Terras do Nunca. A resposta está lá!

Inquietações 

O Vaticano exorta os políticos católicos, e em particular aqueles que são legisladores, para que recorram à “objecção de consciência” para não aprovarem eventuais leis que autorizem o casamento entre casais homossexuais. Aguardo, de forma impaciente, a reacção de certa direita portuguesa, sempre tão rápida quando se trata da defesa da “moral e dos bons costumes”.

A “maior mancha de pinheiro bravo da Europa” ardeu. Para além dos incontáveis prejuízos materiais e pessoais; para além das polémicas sobre a correcta aplicação dos meios de combate aos incêndios; para além das políticas, sempre prometidas e nunca concretizadas, de prevenção de fogos florestais fica a dúvida: será que existe um plano nacional de reflorestação que possa ser imediatamente posto em prática? Ou será que a área ardida vai ser deixada ao abandono para que daqui a uns anos, depois de outro grande incêndio, se volte a falar novamente em ordenamento florestal?

Uma conversa telefónica entre o secretário-geral do maior partido da oposição e o seu líder parlamentar serviu, aparentemente, para manter na prisão Paulo Pedroso. Se uma conversa destas foi escutada e adicionada aos autos de acusação então é caso para estarmos todos muito preocupados.
Que prova é que esta simples conversa pode fazer? Que Ferro Rodrigues e António Costa utilizam muitos “pás”?
Chegou a altura da legislação processual portuguesa ser mudada. E não venham com a desculpa que se muda todo o sistema para beneficiar um político. Que eu saiba a lei não é retroactiva, portanto qualquer alteração ao Código de Processo Penal só vai ter efeito em processos futuros e não nos actuais.
Também podemos fazer como o Primeiro-Ministro, quando recentemente lhe fugiu o pé para a chinela, e dizer que as alterações só eram pedidas quando a justiça estava a prender “os poderosos”. Mas estes “poderosos” têm os mesmos direitos processuais e constitucionais dos “não poderosos”. E no caso de Paulo Pedroso há claramente uma violação de um dos seus direitos constitucionais: o direito de recorrer de uma decisão judicial.
O processo Casa Pia, que começou com uma simples investigação jornalística e não judicial ou policial, entrou por caminhos poucos claros. Parece que só meia dúzia de pessoas, quase todas figuras públicas e quase todas de um quadrante político, é que são acusadas. Será mesmo assim? Ou algo de muito mais grave se esconde por detrás de tudo isto?

30 Julho 2003

A Gargalhada 

Parece que lá para os lados da Praça do Município de Lisboa pensam que o escritor Machado Assis ainda é vivo!!!! Para ler toda a história no Textos de Contracapa.

Leituras do dia 2 

Devido a um mistério informático, ou a uma distracção minha, o artigo da Teresa de Sousa no Público de ontem não foi "recomendado" para leitura. Aqui fica a rectificação porque este artigo é de leitura obrigatória, sobretudo para aqueles que, como eu, não acreditam que as coincidências do processo Casa Pia só possam cair para um determinado lado...

Leituras do dia 

Os artigos de opinião de Vasco Graça Moura no Diário de Notícias sobre as escutas telefónicas em Portugal e de Paul Krugman no International Herald Tribune sobre as diferenças entre a impopularidade de Blair e de Bush Jr.

29 Julho 2003

Cherne de aviário 

O Primeiro-Ministro afirmou que “o País real tem mais confiança do que o País político” e que «há muito tempo que o problema do nosso País não é o povo, mas algumas pretensas elites que temos», e ainda que lhe fazia bem «sair das intrigas políticas de Lisboa e falar com o País que trabalha e confia».
Deste conjunto de afirmações podemos concluir que:
a) Portugal está dividido em dois: aquele que trabalha (o bom povo), e aquele que não trabalha (os políticos e os perigosos intelectuais, obviamente de esquerda) e que vive à conta dos impostos pagos pelo “povo”;
b) As “elites”, i.e., os intelectuais são um entrave ao “desenvolvimento” do país e devem ser remetidos para um canto onde ninguém os ouça;
c) O “bom povo” não faz intrigas, trabalha de sol a sol e confia no Governo do Senhor Primeiro-Ministro. Que Deus o tenha.
Se estas afirmações de Durão Barroso não fossem perigosamente demagógicas e profundamente reaccionárias até poderíamos rir. Mas trata-se do Chefe do Governo de Portugal, político desde tenra idade que agora se quer pôr fora da carruagem dos que fazem política e culpar os “outros” pelos males do país.
Já sabíamos que o parceiro de coligação do PSD era um ás no populismo fácil, agora ficámos a saber que o Primeiro-Ministro também embarcou na mesma onda. Talvez seja contagioso!

Espreguiçadeira 

A preguiça deve ser directamente proporcional ao número de horas que dormimos. É que durante as férias aproveito para pôr os sonos do resto do ano em dia mas não consigo. Cada vez tenho mais sono e mais vontade de dormir. Então depois de almoço não me peçam sequer para articular uma frase!
Com este trágico cenário já sei que quando regressar ao trabalho (daqui por 3 semanas) vou estar com mais sono do que nunca. Talvez então adira à Associação dos Amigos da Sesta. Depois só tenho que requisitar um sofá confortável para o gabinete e colocar um letreiro na porta: “Do Not Disturb”.

28 Julho 2003

Leituras do dia 

Para ler, no Público de hoje, a entrevista com o Embaixador José Cutileiro e o artigo de opinião de José Lebre de Freitas.

Crónicas Jugoslavas 

Álvaro Guerra, Embaixador de Portugal em Belgrado entre 1977 e 1984, escreveu um dos mais tocantes livros sobre a morte de um país. Em “Crónicas Jugoslavas” (edição da Dom Quixote) abre pequenas janelas donde nos relata o seu amor e fascínio por um país que já só existe nos livros de História: “Ao ver ao longe o corpo ensanguentado e esquartejado desse país, não me atrevo a alterar-lhe o título na galeria das minhas vivências. (...) Agora, que as tribos voltam a marcar os seus territórios (perigosa reacção ao perigoso mundialismo mercantil), agora, no difícil exercício de exorcizar os mais sinistros fantasmas, agora, na hora da morte da Jugoslávia, mesmo que os seus herdeiros e os seus coveiros não saibam muito bem o que fazer com esse cadáver, respeitemos ao menos a sua memória.”
Estas nostálgicas “Crónicas Jugoslavas” são um dos mais comoventes retratos de um passado recente, que a Europa procura esquecer, mas que deverá ser sempre recordado.

Álvaro Guerra, escritor, jornalista, diplomata e cronista morreu a 18 de Abril de 2002

27 Julho 2003

Desgraciada Revólucion 

El Comandante comemorou o 50º aniversário do ataque ao Quartel da Moncada com mais uns discursos de meia dúzia de horas cada. Obviamente não se esqueceu de enaltecer as gloriosas conquistas da decrépita revolução cubana.
A novidade é que decidiu recusar todo o tipo de ajuda humanitária da União Europeia. Isto porque a Comissão e os Estados membros criticaram, e bem, as condenações à morte de vários dissidentes políticos.
Fidel continua a argumentar com o embargo norte-americano (o qual só tem prejudicado os cubanos mas não os seus líderes) para manter a sua decadente ditadura. Surpreendentemente, boa parte da esquerda folclórica, e grande parte da esquerda estalinista, continua a defender regime.
Cuba resume-se, actualmente, a uma estância de férias agradável para americanos e europeus e a um gigantesco bordel, também para americanos e europeus. Os cubanos sobrevivem graças a esquemas e negócios do mercado negro apenas para poderem comprar algum sabão, carne e outros bens de primeira necessidade.
O melhor retrato da actual situação em Cuba é feito pelo escritor Pedro Juan Gutierrez que, com uma crueza e uma violência ímpar, relata o difícil e degradante dia a dia dos habitantes de Havana.
Entretanto, em Cuba, a miséria humana continua.

26 Julho 2003

A Democracia 

"The most effective way to restrict democracy is to transfer decision-making from the public arena to unaccountable institutions: kings and princes, priestly castes, military juntas, party dictatorships, or modern corporations."

Noam Chomsky

O General saíu do labirinto 

O General Chefe de Estado Maior do Exército apresentou a sua demissão ao Presidente da República. Mais tarde afirmou que “deixou de ter confiança no Ministro”. Sim, deixou de confiar no Ministro da Defesa! E não o contrário.
O ministro, muito ao seu recente estilo “aqui vai o pavão, eu sou muito importante e tenho uma extraordinária pose de Estado” não responde e manda dizer que o General é boa pessoa.
Um outro General, na reforma, diz que os militares não confiam no Ministro porque este é um perigoso demagogo que adora meter-se em trapalhadas “modernas”.
O Primeiro-Ministro, que continua a fingir que gosta muito do Ministro da Defesa e do seu trabalho, confidenciou que também gostava muito do General demissionário.
O partido do Primeiro-Ministro, para não perder pitada do poder, dá palmadinhas nas costas do Ministro da Defesa, elogia-o, mas, no fundo, nunca lhe perdoará as manchetes de um certo semanário que há uns anos era dirigido por um senhor chamado Portas. Parece que este senhor é agora Ministro.
O partido do Ministro não existe enquanto partido. Entretém-se a fazer de conta que é relevante e que é muito respeitado pelo seu parceiro de coligação.
A oposição, completamente esfrangalhada com escutas, acórdãos, despachos e uma ineficácia a roçar o confrangedor, não diz nada.
E ainda dizem que a silly season só tem notícias chatas!

25 Julho 2003

Pensamentos (pouco) profundos 

Depois de Paulo Pedroso e de Ferro Rodrigues chegou a vez do porta-voz do PS também ser "acusado" – aparentemente por alguns jornais – de estar, ainda que de forma indirecta, no novelo da Casa Pia. Curiosamente trata-se da, até há poucos meses, cúpula da direcção do PS. Que coincidência tão conveniente...

O Glorioso SLB vai jogar com a Lazio. E os reforços continuam sem chegar. Eu até nem tenho nada contra o Luís Filipe Vieira mas as trapalhadas dos últimos tempos fazem-me pensar se ele será a pessoa indicada para suceder ao Vilarinho....

O calor voltou e Lisboa está ocupada por aves raras vindas do mundo inteiro para participar na Gymnaestrada. Believe it or not, hoje, em pleno Parque das Nações, vi umas suecas de meia idade a mudar de roupa, à frente de toda a gente, na maior descontracção. Como é bom ser nórdico...

Porque é que quando nos mudamos para uma casa nova temos que ler vinte manuais que supostamente explicam o funcionamento da porta da garagem, do alarme, da máquina de lavar roupa, da máquina de secar roupa, da máquina de lavar loiça, do fogão, do forno, do frigorífico, da caldeira e – pasmem – da banheira de hidromassagem (sim, também traz instruções). Please somedy help me!

24 Julho 2003

As Vozes dos Donos 

É sempre útil passar os olhos pelos folhas de couve oficiais de Cuba, da República Popular da China ou da Coreia do Norte.
Sempre ficamos a saber que “Abriu o Festival de Arte do Exército Popular da Coreia” (com a indispensável presença do Pequeno Líder), podemos ler os discursos de “El Comandante” desde 1998 (alguns até têm tradução portuguesa!) ou passar uma bela tarde com as obras seleccionadas de Deng Xiaoping (então e o Livrinho Vermelho do Mao?).
Povo Livre, Acção Socialista e Avante aprendam!

23 Julho 2003

As Leituras dos Presidentes 

Este texto é da autoria do escritor e diplomata mexicano Carlos Fuentes e pode ser lido, na sua totalidade, no pequeno livro que acompanha a edição portuguesa do primeiro volume das memórias de Gabriel Garcia Marquez Viver Para Contá-la (edição da Dom Quixote).
"A cultura literária de um Presidente francês nunca surpreende. Neruda
contou-me que as suas reuniões com o Presidente Pompidou, sendo Pablo
Embaixador do Chile em França, tinham como pretexto discutir a política
económica do Clube de Paris, mas na realidade eram longas conversas sobre a
poesia de Baudelaire. O que surpreende é que um Presidente dos Estados
Unidos leia livros. Coisa que Gabo (Gabriel Garcia Marquez) e eu descobrimos
uma noite em Marthas's Vineyard, ouvindo Bill Clinton citar de memória
passagens inteiras de Faulkner, demonstrar que tinha lido D. Quixote e por
que razão Marco Aurélio era o seu autor de cabeceira. Pergunta
desnecessária: O que terá lido Bush?"

Soares é Fixe 

Notável o texto do Portugal dos Pequeninos sobre Mário Soares.

Tripoli by night 



O Resistência Islâmica é um novo blog feito por dois muçulmanos que residem em Portugal. Ao longo dos últimos dias receberam algumas mensagens idiotas de pessoas que desconhecem por completo os fundamentos da sua religião e disso deram conta num dos seus posts.
Fui apenas um dos que reagiu contra este tipo de ataque e, num e-mail que lhes enviei, disse-lhes, entre outras coisas, que um dos países onde tinha sido mais bem recebido e onde me tinham feito sentir em casa tinha sido a Líbia, onde estive recentemente por motivos profissionais. Desafiaram-me a contar a minha experiência líbia.
Aqui vai: do pouco que vi – lembrem-se que fui lá para trabalhar – registei, para além da hospitalidade do povo líbio e da vontade que demonstraram em que Portugal tivesse uma presença mais forte no seu país (que vai desde a abertura de uma Embaixada em Tripoli à atracção de empresas nacionais que estejam preparadas para investir no apetecível mercado líbio), as impressionantes ruínas romanas de Liptis Magna e Sabratha. O enquadramento destas antigas cidades romanas, em especial dos seus anfiteatros, com o Mar Mediterrâneo é espectacular.
A Líbia tem também um enorme, e desaproveitado, potencial turístico. Praias de dezenas e dezenas de quilómetros completamente desertas, e sem nenhuma estrutura de apoio, já para não mencionar o imenso deserto. Mesmo em Tripoli nota-se que o comércio, mesmo no souk, está virado sobretudo para o mercado interno. Ao contrário de Marrocos e da Tunísia, os comerciantes locais não nos perseguem para tentar vender os seus produtos. Quem quiser comprar que o faça mas não espere grandes discussões sobre o preço da mercadoria desejada.
É óbvio que a fama granjeada pelo Coronel Kadafi não ajuda na altura em que se escolhe o destino de férias, mas pareceu-me notar alguns sinais de abertura. Espero que esses sinais se concretizem e que a história do “Eixo do Mal” não deite tudo a perder.


Perdoa-me, 2ª Parte 

Depois do Director da CIA, é agora a vez do Vice Conselheiro para a Segurança Nacional dos EUA, Stephen Hadley, pedir desculpa por ter permitido que o chefe Bush Jr. tenha dito, no discurso ao Congresso, que o Saddam tinha comprado recentemente urânio a um país africano.
O pobre Hadley diz que houve uma falha de comunicação algures no processo de elaboração do discurso e que "the high standards the president set were not met."
Claro que a parte referente aos “high standards” é só para disfarçar. E já agora para rir!

Darling 

Os inquéritos de Verãos dos jornais e revistas portugueses todos os anos têm as mesmas perguntas e todos os anos entrevistam as mesmas “personalidades”. Que, salvo raras excepções, são conhecidos por terem pensamentos tão profundos como “estar viva é o contrário de estar morta” e a última vez que leram um livro, se é que leram, ainda o Thomaz era Presidente. Mas isso não os impede de, quando é feita a fatal pergunta acerca do “livro da sua vida” ou do “livro para este Verão”, debitarem um título – e um autor – que os faça parecer inteligentes, cultos e modernos.
É assim o oco e degradante jet set lusitano. Uma mistura de novo rico, com deslumbrados e carapaus de corrida que fazem tudo para aparecer mesmo que não tenham onde cair mortos. A mim, quando os vejo, só me fazem lembrar tupperwares de plástico. Não perguntem porquê!

22 Julho 2003

A Península Ibérica hoje 

É bom ver que o Sporting está no bom caminho. Em poucas semanas contratou dois reconhecidos adeptos do Benfica: Fernando Santos e agora o guarda-redes Ricardo. O engenheiro até chegou a ter um camarote na antiga Catedral!
Já só falta chegarem a acordo com Vale e Azevedo. Talvez para o lugar de contabilista.

Que as Forças Armadas não tinham dinheiro já nós sabíamos. Agora a novidade é que nem os mais novos – numa altura em que o desemprego entre os jovens aumenta assustadoramente – querem saber da tropa. O que não admira: quem paga o miserável ordenado de 350 euros/mês (que é o que recebe um soldado) não pode esperar ter grandes filas à porta do Centro de Recrutamento. É altura do Paulinho das Feiras pôr uma cunha à Manelinha para que esta lhe dispense mais umas migalhas orçamentais.

Lá por fora, enquanto a Comissão Europeia decide se a ZEE portuguesa pode ser invadida pela Invencível Armada espanhola das pescas, a ETA ataca onde mais dói: nos principais centros turísticos do sul de Espanha. Depois disto quem é que quer ir passar férias à linda estância balnear de Benidorm? Antes Quarteira!!!

21 Julho 2003

O Mundo hoje 

Tony prossegue a sua visita à Ásia. Na China foi recebido com todas as honrarias mas continua com aquela “cara de caso” desde que se soube da morte de David Kelly.
Silvio foi até ao Texas visitar o seu amigo George. George deu um caloroso abraço a Silvio e levou-o a passear pelo seu rancho a bordo de uma pick-up (será uma Ford Bronco?).
No Iraque os soldadinhos de George e de Tony continuam a cair diariamente que nem tordos. Tudo graças ao magnífico plano de ocupação delineado pela brilhante dupla Rumsfeld-Horowitz.
Em África prossegue a desordem geral. Da Libéria ao Congo; do Ruanda a S. Tomé.
A Europa, assolada pela canícula, dormita calma e tranquila.
E assim vai o planeta nesta segunda-feira de Julho.

20 Julho 2003

Necessidades ao fundo 

A página do Ministério dos Negócios Estrangeiros na internet é, para ser simpático, uma vergonha. O grafismo é do mais básico que se pode encontrar; não existe qualquer informação em inglês e francês (os estrangeiros, se quiserem, que aprendam português); e as informações estão completamente desactualizadas. Ficamos a saber, por exemplo, que Ana Gomes ainda continua a ser a Embaixadora em Jakarta, mais de 6 meses depois de se ter despedido da capital indonésia.
Que o MNE está falido, já toda a gente sabia; mas numa altura em que a “diplomacia económica” é tão elogiada, talvez fosse avisado alguém dizer ao Ministro que um dos principais rostos de Portugal no ciberespaço devia ser alvo de uma cirurgia plástica. Para eliminar rugas e limpar as teias de aranha!

Madeleine 

Obrigado ao Paulo Gorjão e ao seu Bloguítica Internacional pelos links sobre política internacional. Das sugestões de hoje retenho o excelente artigo da ex-Secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, intitulado Squandering Capital (numa tradução mais ou menos livre "Capital Desbaratado"), e do qual não resisto a citar a seguinte passagem "Three years ago, America had vast diplomatic capital based on the goodwill we enjoyed around the world, and vast financial capital based on our international economic leadership and a record budget surplus. Now our capital of all kinds has been dissipated and we are left with more intractable dilemmas than resources or friends."

Leituras 

De leitura obrigatória os textos de Luisa Schmidt e Clara Ferreira Alves na revista Única do Expresso sobre, respectivamente, o estado do Ministério do Ambiente e os não hábitos de leitura dos portugueses. A citação que Clara Ferreira Alves faz do velho Eça continua actual, mesmo que já tenham passado mais de 100 anos: “Eu não reclamo que o país escreva livros, ou que faça artes: contentar-me-ia que lesse os livros que já estão escritos, e que se interessasse pelas artes que já estão criadas”. Imperdível, também na Única, a crónica semanal de Gonçalo Cadilhe onde conta as suas aventuras “À Volta do Mundo por Terra e Mar”.

Sobre o Eça propriamente dito, recomendo vivamente Uma Campanha Alegre. Essencial para entender o Portugal político de ontem e de hoje.

De Hérnan Rivera Letelier, um escritor chileno praticamente desconhecido em Portugal, A Rainha Isabel Cantava Rancheiras (editado pela Quetzal).

De Ivo Andric, jugoslavo, Nobel da Literatura em 1961, a excelente tradução para português de O Pátio Maldito (edição da Cavalo de Ferro). Ainda de Andric, e para os entusiastas – como eu – da história dos Balcãs, sugiro The Bridge Over the Drina (desconheço se existe uma edição em português), uma história ficcionada da cidade de Visegrad, e da sua ponte, ao longo da ocupação otomana na actual Bósnia.

19 Julho 2003

Roterdão 



A cidade de Erasmus não é particularmente atraente para o visitante. Para além de alguns edifícios com uma arquitectura interessante e inovadora (e que dificilmente se veria em Portugal, veja-se a polémica criada com o arrojado projecto da “Manhattan de Cacilhas” de Manuel Graça Dias), a cidade é o gigantesco porto.
Quem visita Roterdão limita-se a uma espécie turismo industrial onde os coloridos contentores alinhados nos cais fazem lembrar um lego em tamanho gigante. Depois é uma imensidão de canais e de navios; de docas secas e guindastes; de pontes e armazéns que sobreviveram à guerra e à época em que a Holanda controlava, à custa dos erros de Portugal, boa parte do lucrativo comércio proveniente da Ásia.
Mas para um português que visite Roterdão o que impressiona é o ordenamento do espaço; a fluidez do trânsito numa cidade com 600.000 habitantes; e a existência de 125 diferentes nacionalidades. A cidade é, assim, uma espécie de microcosmos da Holanda que explica o seu extraordinário desenvolvimento económico, mas também o surgimento recente de fenómenos de xenofobia que tiveram o seu auge nos resultados eleitorais da “Lista de Pim Fortuyin”.

18 Julho 2003

Quase de Férias 

Arquivar processos atrasados dos últimos meses. Deitar fora (para a reciclagem obviamente) quase uma resma de papel que se foi empilhando de forma desordenada, fotocópia atrás de fotocópia, fax atrás de fax. Deixar a secretária arrumada e o mais desimpedida possível. Ler todos os e-mails que tinha em atraso. Deixar algumas mensagens para que os colegas façam o favor de cuidar dos assuntos ainda pendentes.
É assim o último dia de trabalho antes de um mês inteiro de férias. Quando regressar já sei que vou mergulhar novamente em quilos e quilos de papel, generosamente acumulados por quatro semanas de lazer.
Mas até lá estou de férias. Finalmente!

Hong Kong 

Chris Patten, último Governador britânico de Hong Kong e actual Comissário Europeu para as relações Exteriores, escreveu um livro essencial para se entender as relações entre o mundo ocidental e a Ásia (East and West editado pela Macmillan). Patten argumenta que o continente asiático, para se continuar a desenvolver, deve adoptar princípios de transparência, boa governação e abertura democrática. As ideias de Patten a este respeito baseiam-se, em parte, nas teorias do economista norte-americano Paul Krugman.
Os defensores do “modelo de desenvolvimento asiático” atacaram as teses de Patten – tal como anteriormente já haviam atacado as reformas democráticas do Governador em Hong Kong – afirmando que a fórmula de sucesso económico na Ásia se devia aos “valores asiáticos”: repressão política q.b. e um capitalismo desenfreado. Mas a crise financeira de 1997 e as suas repercussões políticas, que ainda hoje se fazem sentir, deitaram tudo a perder. Afinal as regras básicas da economia também se aplicavam na Ásia!
O forte crescimento económico que se fez sentir nos “Tigres Asiáticos”, e mais tarde na China Popular, criou uma cada vez maior classe média. Como explica Patten “o aumento do poder de compra desta classe média emergente dará origem a novas reivindicações políticas, especialmente por parte dos seus filhos. O seu maior grau de instrução e a ausência das provações por que passaram os seus pais dar-lhes-á uma nova e mais ambiciosa visão para as suas sociedades (...) Tianamen foi apenas o prólogo.”
Vem isto a propósito das gigantescas manifestações em Hong Kong contra a adopção de uma nova lei de segurança feita à medida das necessidades de Pequim. O Chefe do Executivo do território foi obrigado a recuar e dois membros do seu Governo já se demitiram.
Os chineses de Hong Kong rejeitaram a repressão de Pequim. E Pequim, para não arriscar uma crise política em Hong Kong que arrastaria boa parte da economia chinesa, teve que engolir um sapo e aceitar a vontade do povo. Talvez seja um bom sinal para o futuro de todo o continente asiático.

17 Julho 2003

A Cultura do Pato-Bravo 

Os gestores privados portugueses são dos mais bem pagos do mundo. Até podia ser um motivo de orgulho caso as empresas por eles geridas também fossem as mais lucrativas do planeta. Os ulta-liberais poderão argumentar que como o dinheiro, e as empresas, são privadas ninguém tem nada a ver com o ordenado dos seus dirigentes.
Poder-se-ia pensar assim se a maioria dos gestores portugueses merecesse ganhar aquilo que ganha. Mas que moral têm estes gestores quando os seus assalariados têm os mais miseráveis salários da OCDE? Que argumentos podem invocar quando se andam a passear de Ferrari e os seus funcionários nem sequer são autorizados a uma pausa para ir à casa de banho? Que desculpa podem dar quando no seu currículo constam várias falências fraudulentas que colocam, sem direito a indemnização, dezenas ou centenas de milhares de pessoas no desemprego?
A baixa produtividade dos portugueses não é genética. É o resultado de uma “cultura empresarial” medieval e rasteira que tem como objectivo encher os bolsos do patrão. Argumentar com a falta de produtividade para não aumentar salários é, no mínimo, desonesto.
Aliás, um dos argumentos para fixar os gestores numa determinada empresa é aumentar o seu salário e respectivas regalias. É curioso que o mesmo argumento não seja utilizado para os pobres funcionários. Estes, pelos vistos, não precisam de nenhum incentivo. Basta-lhes ter um emprego para ficarem satisfeitos!
A solução é simples: quando o sigilo bancário deixar realmente de existir e o Ministério das Finanças (atenção Manelinha) passar a cobrar impostos a todos os ditos empresários (dos maiores aos em nome individual), a desculpa da baixa produtividade esfuma-se. Através dos impostos arrecadados o défice do Estado é praticamente anulado e, sobretudo, os salários já podem subir mais do que inflação; e os maus gestores deixarão de fazer as habituais falcatruas do “fecha aqui e abre noutro sítio” porque deixam de se poder esconder atrás do sigilo.

16 Julho 2003

A Metáfora Perfeita Sobre o Fim da Guerra Fria 

" Matámos o dragão (a URSS) em campo aberto, mas agora estamos metidos numa floresta cheia de cobras venenosas. E as cobras são muito mais difíceis de apanhar que o dragão."

Autor Desconhecido

Out Of The Night That Covers Me  

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley (1849-1903)


Golpe de Estado no Paraíso 



Um tenente-coronel de alcunha "Cóbó" decidiu liderar um golpe de Estado contra o poder instituído, democraticamente, em S. Tomé e Príncipe.
O pequeno arquipélago começava, finalmente, a ver alguma luz ao fundo do túnel. O petróleo estava anunciado como o maná que transformaria o país numa espécie de Bahrain da África Ocidental. Agora é tudo muito mais nebuloso neste paraíso onde a Natureza se exibe de forma exuberante.
Se é certo que o Presidente Fradique governava o país como uma espécie de roça particular, isso não legitima o que se passou esta madrugada.
O que assusta, para além do destino dos locais, é que os militares santomenses foram treinados em Portugal e por portugueses. Dá que pensar.


Blog da Madrugada 

"De manhã ao levantar só me apetece deitar". Eu sei que a rima não é grande coisa mas a esta hora da madrugada não me peçam textos muito complicados.
Levantar cedo é um crime. E os patrões/chefes que obrigam os pobres
assalariados, como eu, a despertar ainda o sol mal nasceu deviam ser
condenados à cadeira eléctrica.
Confesso que por muito que me esforce não consigo perceber as pessoas que dizem
ter prazer em se levantar cedo. Por mim ia para a cama todos os dias (neste
caso noites) às 4 da madrugada e só me levantava já com o sol bem alto,
digamos lá para as 11/meio dia.
Quem nunca dormiu até às duas da tarde não sabe o que é a vida!

15 Julho 2003

Lulão 

Nunca morri de amores por Lula. Sobretudo pelos violentos ataques contra Fernando Henrique Cardoso, o melhor Presidente da história do Brasil, que livrou o gigantesco país de cair no abismo (há quem diga que o Brasil é tão grande que não existe abismo que chegue para ele lá caber!).
Mas agora começo a ver Lula com outros olhos. Luiz Inácio percebeu que os radicalismos primários do seu PT nunca o iriam levar a lado nenhum. Pelo contrário, só o transformariam numa espécie de Hugo Chavez em ponto grande.
Durante a visita a Portugal Lula portou-se como um estadista de classe mundial. Não alimentou polémicas devido à situação mais que precária de muitos brasileiros que cá vivem e trabalham; decidiu empenhar-se no renascimento da, até agora, inexistente CPLP; e ficou impávido e sereno quando alguém que deveria saber comportar-se em público e, sobretudo, ser um bom anfitrião debitou meia dúzia de baboseiras acerca de ideologias alheias.
Já em Londres afirmou que os EUA só pensam neles próprios e que mesmos os seus aliados são completamente postos de parte. O Presidente polaco (um ex-comunista agora travestido em cão de fila de Bush Jr.) reagiu de imediato e decidiu atacar Lula afirmando que, afinal, os EUA são muito nossos amigos. A resposta de Lula foi demolidora: se os EUA são assim tão nossos amigos porque é que promoveram a formação de várias ditaduras na América Latina?
Parece que o polaco não respondeu!


Quero um concelho só para mim 

O povo de Nelas desce à capital para protestar contra a elevação de Canas de Senhorim a concelho. Dizem que lhes tiraram um bocado do seu território e que o querem de volta.
Em Canas, que por enquanto ainda é uma freguesia de Nelas, louvam-se os Senhores Deputados e o Senhor Presidente não vá ele decidir vetar o novo puzzle territorial.
Em Fátima, que também já é concelho, reza-se a Nossa Senhora para que o ateu Sampaio seja iluminado pelo divino Espírito Santo e não impeça os locais de votarem para a sua própria Câmara Municipal.
Já agora: no meu prédio devem morar umas 140 pessoas. No prédio do lado as mesmas 140. Será que não nos podemos juntar para formar o nosso próprio concelho? Reservo já o meu apartamento para ser classificado como zona de lazer municipal...

Cromos da Bola 

Uma das coisas que mais irrita no inenarrável mundo da "bola à portuguesa" é a mania que jornalistas e jogadores têm de falar na 3ª pessoa do singular!
Os diálogos, riquíssimos como é habitual, não variam muito e a supostas perguntas são, salvo raras excepções, pérolas que fariam corar o "Dicionário do lugar comum e das frases feitas".
Pergunta do jornalista (?!) ao jogador Simão - Então o Simão está preparado para deixar de ser o capitão do Benfica?
Resposta do jogador Simão ao jornalista (?!) - Eu acho que o Simão está preparado para fazer uma boa época desde que os colegas do Simão deixem o Simão ser o capitão.
Claro que também existe a versão "afirmação a fingir que é uma pergunta" para o jogador comentar de seguida. A mais recente aconteceu antes do jogo da Fundação Figo. Estava o Ronaldo a chegar ao Aeroporto quando um jovem de microfone em punho lhe diz: "Hoje o Beckham foi apresentado como jogador do Real Madrid." O imberbe repórter estava concerteza à espera de uma resposta elaborada que lhe daria um boa caixa, mas o sereníssimo Ronaldo saíu-se com um "E?!...". Bem feito.
Não me recordo do que se passou a seguir. Mas o dito repórter deve ter ficado cá com um "melão"!

14 Julho 2003

Murphy Brown 

Imperdível. De Segunda a Sexta às 20.30 na SIC Mulher. O Retrato de uma certa América liberal e muito divertida.
E Candice Bergen linda como sempre!

O Preço a Pagar 

O concurso da RTP1 “O Preço Certo em Euros” é um dos melhores retratos do Portugal de 2003. Os concorrentes dividem-se, genericamente, em dois grupos: os recém licenciados desempregados e sem perspectivas, ou com empregos que têm pouco ou nada a ver com os seus cursos; e aqueles (jovens ou menos jovens) com poucas ou nenhumas qualificações e que lutam diariamente para esticar um rendimento que, em média, deve rondar os 500 euros mensais.
O segundo retrato tira-se na altura em que surgem os primeiros prémios: a alegria de ganhar uma torradeira ou meia dúzia de almofadas mostra bem a falta de ambição e a estreiteza de horizontes da maioria dos portugueses.
Finalmente, chegados à parte final, onde se pode levar para casa um carro (o objecto mais apetecido) e mais alguns electrodomésticos, o/a concorrente já completamente perdido/a no meio daquilo que deseja ganhar é supostamente auxiliado/a por uma plateia ululante que no meio da algazarra geral vai deitando números cá para fora. O apresentador também ajuda à festa com alguns gritos histéricos e piadas de quinta categoria.
A maioria dos “finalistas” vai para casa de mãos a abanar mas recebe sempre o incentivo da praxe: “O que interessa é concorrer.” E lá regressam todos ao lar, contentes porque aparecem na televisão e porque conheceram o Sr. J. Gabriel.
É claro que existem outros programas nas televisões lusitanas (e não só) completamente abjectos e que “O Preço Certo em Euros”, comparado com eles, é o Coro de Sto. Amaro de Oeiras. O que quero realçar é a pobreza quase indigente, e a roçar a estupidez, que faz com que as pessoas gostem de aparecer por aparecer. E que para além de um qualquer objecto, não levam para casa mais nada a não ser uma aparição efémera. O que preocupa é que as camadas mais jovens, supostamente libertas de certas restrições mentais, adiram a estas iniciativas. Mais uma prova de que a escola (em sentido lato) em Portugal tem falhado na sua missão de educar.
Se é certo que as televisões generalistas adoram este panorama geral de estupidificação, não é menos certo que os portugueses também não fazem nenhum esforço para melhorar o cenário.
Cada povo tem os programas que merece.

13 Julho 2003

Perdoa-me 

O Comunicado do Director da CIA sobre discurso que Bush Jr. fez perante o Congresso dos EUA é de ir às lágrimas. De acordo com George Tenet (o Director) as “16 palavras” em que o Presidente afirma existirem provas de que o Iraque adquiriu urânio a um país africano nunca deveriam ter sido ditas.
O pobre Tenet lá aceitou fazer o papel de cordeiro sacrificial para salvar a face do patrão. Já só falta apresentar a demissão para o hara-kiri ser completo.
Depois da polémica de Blair com a BBC e de mais de 3 meses de presença no terreno sem que as tropas da “coligação” tenham encontrado um pózinho de armas nucleares, biológicas ou químicas restam poucas dúvidas de que a sofrível prestação de Colin Powell perante o Conselho de Segurança da ONU apenas serviu para apresentar uma espécie de banda-desenhada para enganar tolos.
Uma pergunta. Será que o Ministro Portas ainda acredita que a ditas armas existem e serão brevemente encontradas? Talvez Ali “O Cómico” tenha a resposta.

O Irmão do Meio 


O "O Irmão do Meio" do Sérgio Godinho é, sem dúvida, um dos melhores discos em língua portuguesa de 2003.
Os temas apresentados neste CD são recriações dos anos 70, 80 e 90 cantados pelo Sérgio e por vários músicos convidados. Pessoalmente destaco o “Pode Alguém Ser Quem Não É” com a Teresa Salgueiro, o “Lisboa Que Amanhece” com Caetano Veloso, a “Balada da Rita” com o David Fonseca a cantar em português, o “Fotos de Fogo” com o Camané e o Carlos do Carmo e o “Dancemos no Mundo” com os Clã.
Mais uma oportunidade para escutarmos os magníficos poemas do “Escritor de Canções”. Sérgio (mais uma vez) no seu melhor.


12 Julho 2003

André Maurois 

"Creio que os homens sempre se apaixonarão e que nunca deixarão de se atacar uns aos outros a intervalos regulares, pelos meios mais enérgicos que lhes proporcionar a ciência do seu tempo, e com os objectos mais bem escolhidos para se quebrarem mutuamente os ossos.
Creio que um dos sexos procurará sempre agradar ao outro, e que deste desejo elementar nascerá eternamente a necessidade de vencer os rivais.
Para este fim os rouxinóis, as cigarras, as cantoras e os homens de estado servir-se-ão sempre da garganta; os pavões, os negros e os soldados utilizarão adornos resplandecentes; os ratos, os veados, as tartarugas e os reis do espectáculo recorrerão ao combate.
Nada disto é pessimismo, é história natural.”

André Maurois, in “Os Silêncios do Coronel Bramble”

Viajar 

Gosto de aeroportos. Sobretudo pela sensação de partida para um lugar desconhecido.
Gosto dos sons dos aeroportos: dos avisos que anunciam voos para locais longíquos que me fazem desejar ir também em vez dos habituais destinos cinzentos da Europa. Lagos, Hong-Kong, Santiago, Bombaim, Tokyo soam a mistério e a fascínio.
Gosto de ver os aviões chegar e partir, tentar adivinhar as suas rotas e histórias dos seus passageiros.
Gosto de chegar à noite a uma cidade que não conheço. Vê-la primeiro a partir do céu, sonhar com as suas luzes, tentar distinguir os seus habitantes no meio do nada. E depois de chegar parte da magia como que se perde. O encantamento da viagem desaparece para dar lugar ao frenesim das malas, à busca dos táxis, à adaptação ao quarto de hotel.
O dia seguinte vai revelar as luzes, as formas, as cores, os cheiros e as pessoas que irão marcar a nossa impressão mais duradoura da cidade.
Claro que há sempre os museus, os palácios, os monumentos e as estátuas. Mas o carácter das cidades, a sua verdadeira alma, encontra-se nas casas das pessoas. Nas janelas e varandas, nas portas, nos passeios, nos bairros pobres.
Quem vai a Paris para visitar o Louvre ou a Roma para ver o Coliseu e depois volta para casa com alguns postais turísticos não conhece o melhor das viagens.

Bill 

Clinton, o Bill, no seu melhor.
Desta vez para dizer que a direita se alimenta do medo pós 11 de Setembro e que apenas faz reformas para se manter no poder e para defender os interesses daqueles grupos que a podem manter no poder. Nos EUA as políticas da actual administração republicana demonstram a clareza desta análise.
Por cá as coisas também não são muito diferentes. É pena que a nossa esquerda, aquela pode chegar ao poder, esteja ainda meio zonza e não diga coisa com coisa.
Resta ter saudades do tempo em que Bill era o Presidente e o mundo era um lugar mais divertido. A propósito, recordo um cartaz que circulava pelas ruas de Washington no dia em que Bush Jr. tomou posse: "I miss Bill. At least he could speak." Eu não diria melhor.

Começar 

Sobre o que é que eu vou escrever no meu primeiro blog?
Política? I don't think so. Ainda é cedo para revelações bombásticas!
Futebol? Não me apetece. E um blog que se preze trata de assuntos sérios. Futebol é para o povo.
O estado do Mundo? Talvez, mas só me apetece dizer mal do Berlusconi e gozar com o Bush.
Os Amigos? Jamais me perdoariam.
O tempo? Abram a janela e olhem lá para fora.
As férias? O Algarve está outra vez a abarrotar e eu tenho mais do que fazer do que ir até lá.
Música? Prefiro "The Sounds of Silence".
Livros? Ficam já a saber que gosto dos sul-americanos.
Resumindo e concluindo: o que eu vou gostar mesmo de ler são os vossos comentários.

PS: A informática nunca foi o meu forte, portanto tenham paciência se o "Portugal e Arredores" não estiver nas condições desejáveis.....

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